Começo esse texto com um pedido de desculpas, pois falei que seguiria com os próximos 4 textos de temas sugeridos pelos leitores, e esse não é um deles. A partir do próximo retomarei a série.
Hoje resolvi escrever um pouco sobre minha experiência individual com Deus, na expectativa não de que você leitor viva as mesmas coisas que eu vivi, mas sim possa de repente, ver uma nova face de Deus que talvez ainda não tivesse atentado para ela, e isso te ajude a superar algum conflito, ou que simplesmente seja edificante.
Bom, eu nasci em lar evangélico. Filho de pastores, neto de pastores, sete tios pastores, o que é claro indica que meu contato com as Escrituras se deu desde muito cedo. Por ser de raíz presbiteriana (hoje faço pate de uma denominação batista), havia uma valorização extrema, durante a minha infância, da escola bíblica dominical (o que por sinal deveria acontecer até hoje em toda igreja)e isso me fez pegar gosto pela bíblia desde muito novo. Aos 14 anos, através de estudos biblicos e com auxílios de livros acadêmicos de teologia reformada (já que meu pai era professor de seminário e a casa estava repleta deles), entendi o básico e suficiente plano da salvação (não que seja necessário todo esse estudo para entedê-lo), mas foi aos 15 anos que eu resolvi por mim mesmo que queria ser crente, e então me batizei (já estava na igreja batista), e a partir daí comecei uma caminhada de fidelidade para aquilo que eu acreditava ser o certo, o que acabou gerando em mim um "alguém" legalista e religioso. Eu era exemplo nesses quesitos que todos nós conhecemos. Mas com isso, aquela sensação que tive aos 15 anos de idade, foi ficando fraca progressivamente, de forma que aos 20 anos de idade eu caí. Nenhuma queda "digna" de holofotes. Mas eu já não era mais o exemplo. O legalismo ainda estava lá e eu não o estava seguindo, o que consequentemente estava atraindo condenação para a minha vida. Apesar de ser uma queda "clichê", não foi a a intensidade da queda e sim o tempo que ela durou, o que mais me prejudicou. Foram anos procurando fugir da condenação que a Lei me trazia, e tentando justificar os pecados que eu cometia, dia a dia. Prazeres carnais, sempre seguidos de uma tristeza, por saber que eu estava escravo do pecado, e pior que isso, o antídoto que eu conhecia não funcionava. Eu me enxergavaum tolo por não conseguir vencer as tentações, e me conformava com isso. Mas eu sabia que a Palavra de Deus não falhava. E se em João 8:32 falava que a verdade me libertaria, é porque pela lógica, então eu não conhecia de fato a verdade. Um baque quando descobri. E eu tinha que saber que verdade era essa. Mesmo vivendo ainda uma vida de pecado, eu comecei a buscar respostas para essa pergunta, até que me deparei com uma pregação via internet sobre graça. Deus me tocou profundamente ao ver aquilo. Algo que eu nunca havia sentido antes. Eu revi a pregação mais de cinco vezes só naquele dia, às lágrimas. Eu tinha a minha resposta, e é claro que ela era verdade, porque naquele momento eu fui liberto e o verso do evangelho de João se cumpriu. A verdade era mesmo tudo que antes eu havia escutado: Jesus morreu em meu lugar, ressucitou e se eu me arrependesse dos meus pecados, cresse nisso e o tivesse como meu Senhor e Salvador eu estaria livre. Mas na pregação ouvi algo que havia nesse senhorio e que até então eu não sabia o que era. A declaração de impotência perante a pessoa de Deus. Meu erro era acreditar que EU tinha que vencer meus pecados. Eu acreditava que sozinho, cumprindo a lei que eu havia construído em minha própria religiosidade, talvez Deus veria em mim o direito à salvação. Eu queria apresentar o fruto do meu esforço perante Deus, e a única coisa que isso atraía para mim era condenação, assim como Caim. E foi nessa hora que fiz uma oração declarando minha impotência diante de Deus, e tive certeza da minha salvação, não por algo que eu mesmo pudesse fazer e sim porque Ele quis que assim fosse. Com a oração, compus uma música no dia. Canto ela até hoje no meu quarto. Hoje deixarei a letra abaixo. Talvez ela te ajude a orar assim também.
RENÚNCIA
Procuro desculpas pras minhas ações
Eu não me entendo e nem posso explicar
O que me dominam são minhas paixões
Que me convencem a acreditar
Que sou forte o suficiente pra aguentar
Chegar a beira do abismo e resistir
Mas na verdade sei que não consigo suportar
Tropeço e começo a cair
Mas sei que estás sempre de prontidão
Basta eu clamar para me atender
Te peço socorro e me estendes a mão
Só o Teu perdão pode me reerguer
E quando estou bem eu volto a me enganar
E me esqueço de tudo que um dia Você fez
Gritos vazios ecoam no ar
Enquanto despenco outra vez
Eu te conhecia só de ouvir falar
Mas a provação me fez enxergar
Que eu sou fraco ao me afastar
Que sem o Teu amor não consigo lutar
Quero entregar minha vida em tuas mãos
Vem me fazer depender mais de Ti
Vem destruir todo meu coração
Pra reviver Teu Espírito em mim
Quero viver a tua vida
Quero beber das tuas fontes
Quero ser vaso de honra
Quero voar sobre os montes
Quero ver mais do que a salvação
Quero lembrar o que me prometeu
E mergulhar em uma nova unção
Me desfazer de mim pra ser Teu, Jesus!!
FIM
Foi em agosto daquele ano que fiz essa oração, e o agosto desse ano me fez querer escrever.
Foi em agosto daquele ano que eu compreendi que a salvação não é o ápice do Evangelho. Na verdade, ela é só o início.
Em Jesus, que definitivamente tem TODO o poder
Renato Melgaço

