Páginas

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

M&M's



"Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa.
Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra.
Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: 'Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude! '
Respondeu o Senhor: 'Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas;
todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada'." Lc. 10:38-42

Já vi este texto ser pregado algumas vezes, o sermão dos dois "M´s", e me lembrei dele enquanto orava hoje. Resolvi pegar a bíblia e estudá-lo.

Jesus chega e Marta o recebe em sua casa. Em Ap. 3:20, temos uma passagem que diz que o Espirito de Deus está à porta bate e que se alguém ouvir Sua voz e abrir a porta, Ele entrará e ceiará com essa pessoa.

Pois bem. A analogia está feita. Marta convidou Jesus para entrar e o resto da história a gente já sabe. Será?

Eu já ouvi várias pregações nesse texto, e todas elas indicam a mesma coisa. Jesus entra na casa, e nós devemos escolher se somos Marta ou Maria. O sermão se desenvolve a partir dessa pergunta: Quem é você? Marta ou Maria?

Gostaria de refletir sob um aspecto que eu ainda não havia ouvido nesses sermões mas que percebi sobre esse texto, sob a mesma pergunta, mas com uma resposta diferente da anteriormente ouvida (pelo menos por mim. Talvez você já tenha ouvido essa!!).

A pergunta: Quem é você?
A resposta: Eu sou a casa.

É praticamente indiscutivel no meio cristão, a aceitação de que nós, que já temos a consciência que somos lavados e remidos no sangue do Cordeiro e somos por Ele salvos, nos tornamos morada Dele (Jo. 14:23, Ef. 2:22).

Quando nos encontramos com Cristo, Ap. 3:20 se cumpre, e Ele entra na casa que somos nós. Vejamos o que acontece depois disso.

Se no texto de Lucas nós nos colocarmos no lugar da CASA na qual Jesus entra, isso quer dizer que existe uma Marta e uma Maria dentro de cada um de nós, ou seja, somos uma casa com os dois "M´s" lá dentro (como na figura), e isso parece fazer mais sentido.

Jesus entra em nossa vida e a Marta quer por tudo em ordem para MANTER Cristo confortável ali dentro, pois afinal é Jesus. Todos nós somos assim hora ou outra na vida com Cristo. Queremos por tudo em ordem, correndo para lá a para cá, com medo de que a casa não seja digna da presença de Jesus (como se isso fosse possível por nós mesmos), e queremos arrumar tudo. Baseamos a ordem da casa nas atitudes de arrumação que damos. Jogamos fora hábitos, percepções, praticamos toda regulamentação cristã, na esperança de que essa faxina, torne o lugar mais aconchegante para Jesus.

Já a Maria que está dentro de nós, está sedenta por Cristo. Se joga aos pés de Jesus afim de ouvir a palavra Dele, sem se preocupar com mais nada. E nós ficamos revezando em nosso interior, ou pior ainda, vivendo simultaneamente Marta e Maria, e achando que o fato de estarmos vivendo a Maria naquele mesmo momento em que vivemos a Marta já é o bastante.

Na hora que estamos "fortes", tiramos onda de Marta. Fazemos e acontecemos, pois a casa está ficando um espetáculo através do nosso esforço. Mas basta uma escorregada, para percebermos que nada que façamos é o suficiente, e que nessa hora o que vale é ficar aos pés de Jesus afim de que Ele ajeite tudo, então lembramos de Maria.

Marta é a Lei. Maria é a Graça.

Daí você me pergunta: "Você está dizendo que a Lei é errada?". Não, porque nem o próprio Cristo fez isso no texto, mesmo que metaforicamente. Ele chama a atitude de Marta de desnecessária. A Lei não é errada. A Lei se torna desnecessária a partir do momento que estamos aos pés de Cristo, pois as palavras que Dele ouvimos são a própria Lei, e na Graça toda a Lei se cumpre. Fato é que quando cumprimos a Lei, afim de arrumarmos a casa pra Jesus, nunca conseguimos por completo, e isso traz condenação a nós mesmos por não podermos cumpri-la. Mas se reconhecermos que não podemos deixar a casa digna de Jesus, só nos resta nos render aos pés Dele, e deixar que a simples presença Dele dignifique o lugar, a morada que somos nós. E o melhor de tudo é que essa Graça não pode ser tirada de nós!!

Santificação não é o processo no qual você faz uma faxina na sua vida e a torna mais agradável, confortável ou digna para Jesus. Santificação é o processo no qual você consegue se livrar desse fardo pesado, e assumir o fardo leve de se manter aos pés de Jesus, que dignifica todo o lugar. "Apenas uma atitude é necessária."

Pense nisso!!

Em Jesus, que cumpriu toda a Lei e ainda assim morreu para que tivéssemos vida pela Graça

Renato Melgaço

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Renúncia


Começo esse texto com um pedido de desculpas, pois falei que seguiria com os próximos 4 textos de temas sugeridos pelos leitores, e esse não é um deles. A partir do próximo retomarei a série.

Hoje resolvi escrever um pouco sobre minha experiência individual com Deus, na expectativa não de que você leitor viva as mesmas coisas que eu vivi, mas sim possa de repente, ver uma nova face de Deus que talvez ainda não tivesse atentado para ela, e isso te ajude a superar algum conflito, ou que simplesmente seja edificante.

Bom, eu nasci em lar evangélico. Filho de pastores, neto de pastores, sete tios pastores, o que é claro indica que meu contato com as Escrituras se deu desde muito cedo. Por ser de raíz presbiteriana (hoje faço pate de uma denominação batista), havia uma valorização extrema, durante a minha infância, da escola bíblica dominical (o que por sinal deveria acontecer até hoje em toda igreja)e isso me fez pegar gosto pela bíblia desde muito novo. Aos 14 anos, através de estudos biblicos e com auxílios de livros acadêmicos de teologia reformada (já que meu pai era professor de seminário e a casa estava repleta deles), entendi o básico e suficiente plano da salvação (não que seja necessário todo esse estudo para entedê-lo), mas foi aos 15 anos que eu resolvi por mim mesmo que queria ser crente, e então me batizei (já estava na igreja batista), e a partir daí comecei uma caminhada de fidelidade para aquilo que eu acreditava ser o certo, o que acabou gerando em mim um "alguém" legalista e religioso. Eu era exemplo nesses quesitos que todos nós conhecemos. Mas com isso, aquela sensação que tive aos 15 anos de idade, foi ficando fraca progressivamente, de forma que aos 20 anos de idade eu caí. Nenhuma queda "digna" de holofotes. Mas eu já não era mais o exemplo. O legalismo ainda estava lá e eu não o estava seguindo, o que consequentemente estava atraindo condenação para a minha vida. Apesar de ser uma queda "clichê", não foi a a intensidade da queda e sim o tempo que ela durou, o que mais me prejudicou. Foram anos procurando fugir da condenação que a Lei me trazia, e tentando justificar os pecados que eu cometia, dia a dia. Prazeres carnais, sempre seguidos de uma tristeza, por saber que eu estava escravo do pecado, e pior que isso, o antídoto que eu conhecia não funcionava. Eu me enxergavaum tolo por não conseguir vencer as tentações, e me conformava com isso. Mas eu sabia que a Palavra de Deus não falhava. E se em João 8:32 falava que a verdade me libertaria, é porque pela lógica, então eu não conhecia de fato a verdade. Um baque quando descobri. E eu tinha que saber que verdade era essa. Mesmo vivendo ainda uma vida de pecado, eu comecei a buscar respostas para essa pergunta, até que me deparei com uma pregação via internet sobre graça. Deus me tocou profundamente ao ver aquilo. Algo que eu nunca havia sentido antes. Eu revi a pregação mais de cinco vezes só naquele dia, às lágrimas. Eu tinha a minha resposta, e é claro que ela era verdade, porque naquele momento eu fui liberto e o verso do evangelho de João se cumpriu. A verdade era mesmo tudo que antes eu havia escutado: Jesus morreu em meu lugar, ressucitou e se eu me arrependesse dos meus pecados, cresse nisso e o tivesse como meu Senhor e Salvador eu estaria livre. Mas na pregação ouvi algo que havia nesse senhorio e que até então eu não sabia o que era. A declaração de impotência perante a pessoa de Deus. Meu erro era acreditar que EU tinha que vencer meus pecados. Eu acreditava que sozinho, cumprindo a lei que eu havia construído em minha própria religiosidade, talvez Deus veria em mim o direito à salvação. Eu queria apresentar o fruto do meu esforço perante Deus, e a única coisa que isso atraía para mim era condenação, assim como Caim. E foi nessa hora que fiz uma oração declarando minha impotência diante de Deus, e tive certeza da minha salvação, não por algo que eu mesmo pudesse fazer e sim porque Ele quis que assim fosse. Com a oração, compus uma música no dia. Canto ela até hoje no meu quarto. Hoje deixarei a letra abaixo. Talvez ela te ajude a orar assim também.

RENÚNCIA

Procuro desculpas pras minhas ações
Eu não me entendo e nem posso explicar
O que me dominam são minhas paixões
Que me convencem a acreditar
Que sou forte o suficiente pra aguentar
Chegar a beira do abismo e resistir
Mas na verdade sei que não consigo suportar
Tropeço e começo a cair

Mas sei que estás sempre de prontidão
Basta eu clamar para me atender
Te peço socorro e me estendes a mão
Só o Teu perdão pode me reerguer
E quando estou bem eu volto a me enganar
E me esqueço de tudo que um dia Você fez
Gritos vazios ecoam no ar
Enquanto despenco outra vez

Eu te conhecia só de ouvir falar
Mas a provação me fez enxergar
Que eu sou fraco ao me afastar
Que sem o Teu amor não consigo lutar
Quero entregar minha vida em tuas mãos
Vem me fazer depender mais de Ti
Vem destruir todo meu coração
Pra reviver Teu Espírito em mim

Quero viver a tua vida
Quero beber das tuas fontes
Quero ser vaso de honra
Quero voar sobre os montes
Quero ver mais do que a salvação
Quero lembrar o que me prometeu
E mergulhar em uma nova unção

Me desfazer de mim pra ser Teu, Jesus!!

FIM

Foi em agosto daquele ano que fiz essa oração, e o agosto desse ano me fez querer escrever.

Foi em agosto daquele ano que eu compreendi que a salvação não é o ápice do Evangelho. Na verdade, ela é só o início.

Em Jesus, que definitivamente tem TODO o poder

Renato Melgaço

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

É pra já!!!


Ele lhes respondeu: "Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade. Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra". At. 1:7-8

Uma das características mais tristes desta geração em que vivemos é o imediatismo. Tudo é pra agora!! Basta ver a publicidade de qualquer produto hoje em dia. Frases como "consiga o resultado em pouco tempo" ou "em poucos dias você notará a diferença", ou ainda características como "instantaneo" ou "pronto pra usar", ganham cada vez mais espaço no mercado, comprovando a busca pelo resultado imediato. E não é só no mercado, é em tudo. O diploma rápido, o casamento precoce, a ascensão meteórica no emprego, esteroides-anabolizantes pro corpo, o calmante pro sono, a desvirginização de crianças e adolescentes, a procura por felicidade instantanea nas drogas, etc. Tudo resultado de um imediatismo evidente. O ser humano em si mesmo, não sabe mais esperar.

E era inevitável que uma característica tão notável na sociedade não ganhasse espaço em nossas igrejas. Cada vez mais se vê pessoas, não só vivendo, como pregando o imediatismo dentro das igrejas. Jargões como "hoje é o dia da sua vitória!!" , e a procura pelas "bençãos" e "sinais" imediatos tem sido o motor que faz milhares de pessoas exercerem sua fé. Eu creio que Deus pode fazer muito nesse cenário, pois Ele é misericordioso, e atenta para o nosso bem sempre, inclusive quando o bem Dele nos parece bem também. O problema é quando o bem Dele não parece o bem pra nós (em nossa própria visão), e nos prendemos em nossa visão, que não viu o resultado esperado. A oração "miojo", que em apenas três minutos deixa sua benção pronta, falhou. E agora? No que acreditar? A escatologia (estudo do fim dos tempos), ainda é o assunto que causa mais interesse nas igrejas. Todo mundo quer saber como termina, ao invés de saber o que se passa.

No texto que lemos acima, vimos que os discípulos, queriam o cumprimento da profecia da restauração do reino de Israel de imediato. Porém, a resposta de Jesus, como de costume, é fantástica: "não lhes compete saber os tempos ou as datas...".

Como sei que muita gente não concorda com o que escrevi no terceiro parágrafo, usarei o que procuro viver em minha vida, e que tem dado muito certo. Leia, examine e retenha o que é bom:

- Eu creio que o dia da minha vitória foi o dia em que Cristo deu a vida por mim (antes da fundação do mundo!!), pois ali a vitória se construiu e tudo que veio depois disso coopera para o bem de todos que verdadeiramente o amam, inclusive nossos sofrimentos e aflições nessa terra,que nos levam a esperar com grande expectativa a vida eterna com Cristo (Ap.13:8; Rm.8:27-28; Rm.5:3-5);

- Eu creio que as bençãos e sinais acompanham aqueles que crêem no Senhor, e não em uma fé condicionada às bençãos e os sinais (Mc.16:17);

- Eu creio que Deus SEMPRE faz sua vontade, pois não há NADA que possa impedi-Lo. Minha oração não é um "gatilho" da vontade de Deus, e sim um pedido de um filho, que pode ser atendido ou negado por um Pai amoroso(Ef.1:11; Lc.11:11-13; Jo.9:31);

- Eu creio que os resultados imediatos existem quando em conformidade com a vontade de Deus, mas não condiciono a minha fé em vê-los, pois para mim, todos os sinais antes demonstrados já são mais que suficientes ( I Jo.5:14; Mt.16:4);

- Eu creio que a escatologia serve para mostrar o que o princípio e o meio da história já mostraram: que a vitória no final é certa, e que não há o que temer. A parte dela que não me compete, deixo para aqueles que com isso se preocupam (Ap.21:6-7).

Na sequência do texto, Jesus deixa um "mas" aliviador: "... receberão poder... para testemunhar...". Repare que é "poder para testemunhar" e não "testemunhar para o poder". Muito tem se visto do agir do Espírito Santo como consequencia de alguma coisa. O poder nesse caso vira efeito. Eu creio no poder do Espírito que causa o testemunho. O poder do Espirito Santo é a causa do culto que foi benção, e não o efeito dele. O poder do Espirito Santo é a causa da vigília de oração, e não o que sobrou dela. O poder do Espírito Santo o que causa o Evangelhismo, e não a consequência dele.

Enfim, o poder do Espirito Santo é a causa de boas obras que terminam em testemunhos, e não o efeito das obras que faço... em Jerusalém (o mais perto primeiro), em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.

Em Jesus, Aquele que tem todo o poder para agir e permitir

Renato Melgaço

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A casa caiu!!



“Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.” Ef. 4:22-24

Voltei à poucos dias de uma viagem missionária que fiz junto a vários irmãos à uma cidade chamada Salto da Divisa, no Vale do Jequitinhonha. Uma cidade que sofre pela falta de desenvolvimento (especialmente econômico), como é comum naquela região, e que tem tristes resultados, como fome, miséria, educação e saúde precárias, enfim, um quadro que assola o interior de todo o Brasil infelizmente. Apesar de tudo isso, percebi um povo batalhador e feliz, o que nos dá um “tapa de luva” logo de cara, que se estendeu por toda a semana que lá estive. Pois bem. Resolvi escolher um dos momentos lá vividos para ilustrar o poder da ação do Espírito Santo em nós, quando estamos engajados em obras como essa.

Essa viagem acontece anualmente (essa foi minha primeira para lá), e toda vez escolhe-se uma família, à qual se presta apoio completo (moradia, alimentação, qualidade de vida, etc.), além das ajudas pontuais à várias outras famílias. Dessa vez, a família escolhida foi a de um senhor conhecido na cidade como Zé Trovão. Já de idade avançada, ele vivia em condições sub-humanas com uma esposa e seis filhos, em um casebre que ele mesmo havia construído em um lote emprestado. Esse casebre era feito de pau a pique, formando as paredes gradeadas, e nas fendas dessa grades pequenos tijolos de barro. Troncos de árvores arrancados, davam lugar às vigas e metros de arame emaranhados ligavam tudo isso. O chão de barro puro (inclusive por chover, enquanto lá estivemos), e muita sucata servindo de móveis. Forros de lona no chão davam lugar às camas, e a exposição a varios tipos de doença era evidente. Eles viviam nessa situação a mais ou menos 4 anos. Uma das coisas que Deus nos permitiu fazer por essa família foi a construção de uma nova casa em um lote cedido pelo governo. Construiu-se e mobiliou-se a casa, com tudo novo, desde o acabamento da casa à todos os móveis lá colocados. Como o lote antigo era emprestado, fomos derrubar a antiga casa, com tudo que havia dentro (já que era tudo inutilizável), o que acabaria servindo como símbolo da transformação que Deus proporcionou à vida daquela família. Quando chegamos para derrubá-la, visualmente seria fácil. Eram por volta de 15 homens com ferramentas nas mãos, para jogar a casa ao chão. Começou-se então o trabalho e não demorou muito para vermos que não seria tão simples assim. Apesar da fragilidade do material, os emaranhados de arame e toda a madeira cruzada, tornava muito difícil a tarefa. Depois de muito tempo batendo, serrando, empurrando, cavando, tudo para jogarmos a casa no chão faltava ainda um cômodo, o central de um total de 3, que era sustentado pelas duas principais “vigas” e que mesmo depois de muito custo não caía de jeito nenhum. Alguém que sabia que estávamos lá, ou havia visto, solicitou a ajuda de um trator. Esse trator chegou enquanto ainda estávamos tentando derrubar esse cômodo. Saímos da frente e o trator derrubou em segundos o cômodo, além de juntar todo o entulho dos cômodos que havíamos derrubado, mas ainda estavam emaranhados no chão. Para se ter uma idéia da força do trator, havia um carrinho de mão acidentalmente no caminho, que o trator passou por cima e tratou o aço como papel, embolando o carrinho e o desfazendo juntamente com toda construção. Em meio ao processo de destruição da casa, seu Zé Trovão chegou e queria salvar uma mesa, que segundo ele era utilizável ainda, dentre algumas outras miudezas, mesmo ele tendo uma mesa nova e aquelas miudezas não lhe tendo utilidade alguma em casa. Chegou a se entristecer quando viu o trator destruir tudo, mas posteriormente nós o explicamos tudo e ele entendeu. Mas enfim, a casa nova estava em pé e pronta para morar (vide foto), e a casa velha estava no chão.

Quando vi toda essa situação descrita acima se desenrolar, comecei a pensar no versículo de Efésios que citei no começo do texto. Em II Co. 5:17, vemos que quando estamos em Cristo tudo em nós se faz novo. Novo. Mas em Efésios diz que o velho homem está lá, esperando que nós nos dispamos dele, para que o novo tenha efeito de novo, efeito de ser semelhante ao próprio Deus. Então pegamos nossas ferramentas (oração, jejum, bíblia, etc) e começamos a batalha de destruir a velha casa, onde morava o prática do pecado, e fazer valer a nova casa, habitação do próprio Deus e dada por Ele mesmo gratuitamente. Apesar de ser uma árdua tarefa, começamos com muito suor, e até vencemos certas etapas da destruição do velho homem, apesar de deixarmos todo o entulho emaranhado esparramado pelo chão. A parte mais difícil fica de pé ainda, mas seguimos firmes na tentativa da derrubada. Alguns sabem que estamos nessa batalha, ou vêem enquanto tentamos vencer o velho homem, e intercedem por nós junto ao Pai. Deus manda o trator, e não tem nem graça. Em segundos o velho homem está no chão, e é ajuntado e entulhado para ser queimado junto com todo o restante de emaranhados que havíamos deixado no chão. Nessa passagem o trator destrói inclusive as “ajudinhas humanas”, ou os carrinhos de mão que deixamos pelo caminho, pois Ele não precisa de ajuda. O que acontece com algumas pessoas é que elas desistem em meio à todo esse processo. Alguns quando vêem o velho homem, já desanimam e acham que não darão conta. Outros, até começam, mas quando percebem a dificuldade abandonam a tarefa. Já para outros, as partes mais difíceis se tornam impossíveis, e eles desistem justamente na hora em que intercessores perceberão e clamarão por eles. O segredo é não desanimar, seguir batendo, empurrando, serrando, cavando o velho homem até que a ajuda do trator chegue e passe por cima de tudo para mostrar que Ele é muito mais forte que nós, e que não há comparação e que só Ele torna possível a destruição do velho homem completa. Mas não devemos desanimar. Alguns chegam a querer salvar algo de velho, porque acha utilizável mesmo tendo tudo novo. Não é só o pecado que compõe o velho homem, mas tudo aquilo que não se encaixa no novo homem também, por fazer parte do velho. Devemos lembrar que existe uma condição para que experimentemos a vontade de Deus: a RENOVAÇÃO da nossa mente!!
“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Rm. 12:2

Em Jesus, o Único capaz de dar o que é novo e de destruir o que é velho

Renato Melgaço

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ideias e Ideais

É impressionante o poder de se trocar um "i" e um "a" de lugar e redescobrir a chave de uma possível solução para um impasse. Leia as frases abaixo:

"Eu defendi minhas ideIAs."

"Eu defendi meus ideAIs."

As ideias de alguém são passíveis de características próprias e individuais, pois tem sua origem no indivíduo. Pessoas usam sua imaginação, criatividade e informações sintetizadas e acolhidas, para fundir uma ideia. Daí, temos que um ideia gera consequências, que podem de fato, ser boas ou ruins. Quando tenho uma ideia, sei que ela pode gerar o bem ou o mal, e se eu não consigo discernir o que ela gerará após efetuada, isso não me torna menos reponsável por ela. Ela é de minha responsabilidade, porque eu a tive.

Já com os ideais não. Ideais são originados, independentemente do indivíduo, baseados e compilados a partir de consequências coletivas que determinam condutas éticas e valores morais nos indivíduos que o seguem, além de guiar comportamentos e ações que nascem através das ideias desses individuos. O fato das ideias nem sempre condizerem com o ideal, só demonstra a fragilidade de um individuo, que não conseguiu em algum momento submeter uma ideia a um ideal.

Todos nós fazemos isso, em vários momentos de nossas vidas. E respondemos por isso como responsáveis que somos. Mas isso, não quer dizer que nossos ideais mudam, a cada momento que isso acontece. Nós fugimos de nossos ideais cada vez que temos ideias que vão contra eles, mas ao ver o resultado, não quer dizer que tenhamos mudado de ideal porque isso aconteceu. Para tentar solucionar isso fico me lembrando que, uma ideia deve ser submissa ao ideal, mas o ideal nunca será submisso a ideia.

O que acontece, é que algumas pessoas vêem mais nossas ideias do que nossos ideais. O que é natural, já que sabemos que uma ideia é um POSSÍVEL efeito de um ideal.

Para nós cristãos, o ideal é único. Se seguimos a Cristo, o nosso ideal é o Evangelho. Pois, o Evangelho é Cristo.

Nesse ideal, quando analisamos uma pessoa, devemos analisá-la por seu ideal, e nunca por suas ideias, pois isso se configuraria como julgamento individual. Mas podemos julgar um ideia, de quem quer seja, como boa ou ruim. Se fossemos medir os outros por suas ideias, como seríamos medidos? Afinal, repito, todos temos ideias tolas e ruins o tempo todo. Mas Deus nos olha por nosso ideal, que é Cristo em nós. Isso torna possível a Graça. Portanto se houve arrependimento de uma pessoa por uma ideia que possívelmente tenha fugido do seu ideal, Deus a julga segundo a Graça, pois o ideal é Cristo.

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus." Ef. 2:8

Porém, o remédio para quem não age dessa forma (de analisar a pessoa segundo seus ideais e não segundo suas ideias), não é uma revolução, ou uma rebelião... não. Quem responde assim, defende ideias. Para defender ideais, nós propagamos esses ideais. Se o nosso ideal é realmente o Evangelho, nós temos que defendê-lo propagando-o e não revolucionando-nos contra quem nós achamos que tenha feito algo que vá contra esse Evangelho. Foi assim com Paulo. Em Fp. 1:16, ele diz se encontrar preso por defender o Evangelho. Como ele defendeu? Propagando-o.

Portanto, não defenda ideias, antes, propague IDEAIS!!

P.S: Alguns leitores pediram um posicionamento meu, em virtude dos acontecimentos de sábado em minha igreja. Declaro-me submisso e amando ao meu pastor, ainda que discordando com a forma com a qual ele agiu. Tenho fé que o mesmo zelo e exortação apresentados no culto por conta de uma ideia, serão preservados em defesa do no nosso ideal. E na esperança que chegará o dia em que não haverão dois pesos e duas medidas diferentes em nosso meio.

Se você está lendo e não sabe o que aconteceu, trata-se de algo que só diz respeito à comunidade de fé da qual faço parte. Mas espero, que ainda assim, o texto seja benção em sua vida.

Ciente das possíveis consequências (mesmo sabendo que não tenho uma "voz" tão audível assim), sigo propagando o ideal no qual acredito piamente, com as ferramentas que tenho.

Em Jesus, que é o ideal e sempre a melhor ideia

Renato Melgaço

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Fabricantes de Propósito

"Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos." Efésios 2:10

Lendo o texto acima, eu sempre me permito fazer uma auto análise, e sempre concluo que preciso mudar em alguma coisa. A pergunta que sempre me faço é: "eu tenho realizado de fato o propósito de Deus em minha vida, ou eu tenho só tido vontade de fazer isso?".

O texto deixa claro, que existem obras e propósitos específicos para cada um de nós, e que nessas obras, está o propósito prático da salvação (leia desde o versículo 8 e isso fica claro).

O que impressiona, é que ao que parece, a tendência humana (sempre ela!!) nos leva ao lado contrário. Normalmente, seria razão de felicidade e motivação de sobra sabermos que existe algo particular entre nós e Deus que desemboca em um propósito particular, e ainda, é reconhecido particularmente por Deus. Em teoria, as pessoas amam esse desíginio de Deus, usam frases feitas para salientar os seus desejos de cumprir os propósitos de Deus para suas vidas, e se justificarem para si mesmas que o estão fazendo. Mas em teoria, de nada adianta. Basta olhar os frutos do cumprimento do "propósito de Deus", quando desempenhado de maneira deliberada ao gosto do fabricante. Sim!! o que vemos hoje são fabricantes de propósitos. Gente que industrializa, embala e rotula seus próprios propósitos, e o fazem em nome de Deus. Mas os frutos dessa fabricação própria falam por eles mesmos. Tristeza, frustração, medo, vergonha, decepção, etc. Enfim, eu poderia citar várias outras consequencias disso aqui, mas acho que essas já ilustram bem o que quero dizer. Não é culpa de Deus, que os resultados de seus próprios esforços sejam um fracasso, quando os propósitos são fabricados por você mesmo. A mania de se colocar na conta de Deus esse fracasso, é porque se coloca na conta de Deus o propósito, e ambos, são de conta exclusivamente do verdadeiro fabricante: O EGO!!

Deus preparou antes da fundação do mundo um propósito exclusivo para você. Uma obra feita nos seus moldes. Não queira fabricar outro propósito, no que você pensa ser seu molde. Ou pior, fabricar um propósito igual ao de "fulano" que prega bem, ou "ciclano" que canta como um canarinho!! Isso te faz perder de vista uma das coisas mais belas da vida cristã: a relação única e exclusiva entre você e Deus. Tudo porque você quis viver a relação de outra pessoa com Deus, ou quis um relação nos seus próprios moldes.

Deus te deu vocações, e diariamente te mostra oportunidades de utilizá-las no reino. Isso é chamado. Atender ao chamado do propósito de Deus, é fazer de cada oportunidade dessa, um momento único, dessa relação única, com o Único que dá sentido a tudo isso. Não jogue esse previlégio fora!! Pratique as obras que de antemão Ele preparou para você.

Em Jesus, onde todo propósito nasce e se cumpre

Renato Melgaço

segunda-feira, 20 de junho de 2011

E a tal pequena nuvem?

E ai galera, hoje to voltando a escrever e desde já agradeço à Deus pelos leitores que se mantiveram pacientes quanto à esse retorno!! rsrs.. se vc conheceu o blog a pouco tempo, seja bem-vindo!!

Nesse texto gostaria de abordar um tema que interfere diretamente na percepção que temos da ação de Deus.

Gostaria que você se puder, leia atentamente ao texto de I Reis 18, para que juntos tentemos melhorar essa percepção. Depois de ler, gostaria que você se focasse comigo na segunda parte do capítulo, a partir do verso 41.

Pois bem... Fazendo a analogia da chuva com a ação de Deus em nossas causas, vejo que a fé tem uma construção muito mais simples na compreensão, porém muito mais difícil na execução, do que alguns de nós tem enxergado.

O texto diz que Elias, acabara de ver a ação de Deus em outra causa contra os profetas de Baal, e logo depois Elias afirma com veemência à Acabe: "Vá comer e beber, pois já ouço o barulho da chuva". Não chovia a quase três anos, e o Senhor mandara Elias dizer a Acabe que Ele mandaria chuva sobre a terra no versículo 1. No começo do capítulo 17, Elias disse a Acabe, que a chuva voltaria a descer, quando ele, Elias, dissesse. Quando no verso 41, Elias diz a Acabe, obviamente, Acabe começa a se preparar para a chuva, afinal, o homem que havia lhe falado que a chuva cessaria e acertado, agora falou que ela voltaria. Elias então começa a orar, e por sete vezes seu servo vai conferir, se a chuva já vem vindo, e na sétima ele vê a tal pequena nuvem.

Vejo que baseado em algumas construções de fé, nós muitas vezes nos perdemos em como Deus está agindo em nós. Ficamos esperando a pequena nuvem, e clamando pela pequena nuvem, imaginando que depois que ela aparecer, é que Deus vai agir.

Acho que nosso erro nesse caso, é imaginá-la como um sinal (por favor, não parem de cantar alguma canção referente à isso só por minha causa, façam apenas um estudo de percepção textual na Bíblia). Ao invés de imaginá-la assim, eu prefiro imaginá-la como parte da nova ação de Deus. Afinal, a pequena nuvem também é de água, a pequena nuvem também é chuva!! Alguns podem pensar que a oração de Elias, era para que a chuva viesse. Me permitam "dar uma viajada" no texto, e falar que eu penso que Elias orou para que ela atrasasse, porque era para voltar a chover mediante a palavra dele. Porém era necessário que Acabe se aprontasse antes, para que a chuva não o impedisse de descer rumo a Jezreel. Elias, parecia estar ganhando tempo para Acabe. Muitos de nós precisamos nos preparar antes da ação de Deus. E talvez, ela não ocorra no tempo que pensamos, porque ela se tornaria em empecilho, para os demais objetivos de Deus para nós.

Mesmo não tendo certeza, sobre o que orou Elias, tenho algumas convicções. A nossa fé não pode surgir mediante ao surgimento da pequena nuvem. Ela tem que continuar firme, no momento em que a chuva para de descer. Se somos fracos, a ponto de não conseguirmos isso, que nos prendamos às outras ações que Deus tem feito por nós antes da chuva pelo menos e que isso seja sinal suficiente.

Elias sabia que a chuva viria. Ele afirmou. Cabe a nós OBEDECERMOS e nos preparar como fez Acabe pois a Palavra é o bastante. Ter fé não é esperar por sinais para acreditarmos na ação de Deus. É saber que a falta de chuva é uma ação Dele também, que serve para a glorificação do nome Dele. Pense nisso!! Não busque sinais... Lembre-se do que Jesus disse aos que faziam isso:

""Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas". Então Jesus os deixou e retirou-se." Mateus 16:4

O sinal de Jonas, é o sinal daquele que desobedece. O segredo da fé, é a obediência.

Em Jesus, Autor e Consumador da nossa fé

Renato Melgaço